Entre 2003 e 2022, os professores das redes estaduais e municipais brasileiras realizaram mais de 2.500 greves. Houve um acentuado aumento no número de greves desta categoria a partir de 2011, aumento protagonizado principalmente pelos professores de redes de ensino dos municípios pequenos e médios, especialmente no Nordeste. Os dados também evidenciam significativas disparidades entre as redes de ensino em relação à frequência e duração das greves. A análise dos dados consolidados sobre greves de professores no Brasil, combinada com estudos acadêmicos e informações adicionais sobre o sindicalismo docente a Argentina, Brasil, México e Estados Unidos, permite tecer algumas considerações sobre as causas e características dos movimentos grevistas. Estes não podem ser satisfatoriamente explicados desde um modelo baseado no contexto econômico e nas condições de negociação política do sindicalismo,que teria validade em diferentes contextos históricos, como têm proposto alguns pesquisadores. Diferentemente, o estudo das greves exige levar em conta mais elementos explicativos, complexificar as relações entre estes elementos e as próprias greves e, fundamentalmente, considerar que o processo histórico particular determina como os diferentes contextos político-econômicos e os processos sociais mais amplos se combinam de forma particular para determinar a realização (e também a não realização) das greves.
Brazilian public school’ teachers employed by state and municipal governments carried out over 2,500 strikes between 2003 and 2022.The number of teacher strikes grew dramatically after 2011, primarily due to increased action by these workers in smaller and medium-sized cities, especially in the Northeast region. There are significant differences among states both in the number of strikes and in the number of strike days. The data on teacher strikes in Brazil, along with academic studies and complementary information on teacher unionism in Argentina, Brazil, Mexico, and the United States, allows us to make some considerations regarding how to explain strike movements. These movements cannot be fully explained by a general model based on the economic context and political exchange theory, as some researches have suggested. A satisfactory study of strikes requires employing more explanatory elements, making the relationships between these elements and the strikes themselves more complex, and, fundamentally, considering that the particular historical process determines how different political-economic contexts and broader social processes combine in particular ways to determine the occurrence (and non-occurrence) of strikes.